"Karl Marx, filósofo alemão, propôs que tudo está em constante transformação de forma dialética, ou seja, da passagem de uma coisa (tese) pela sua negação (antítese), surge outra (síntese), que possui características das duas, sem ser nenhuma delas. Para explicar melhor, tomamos como exemplo de tese a vida. Sua negação, isto é, sua antítese, é a morte. A vida possui como curso natural, portanto, a morte.
Em Jesus, porém, a transformação não acaba na morte, mas caminha para uma síntese, a ressurreição, que já não é nenhuma das anteriores, mas algo novo. Não é a morte, pois esta já foi vencida, e também não é a vida simplesmente, mas a vida que dura para sempre, extrapolando todas as exigências do tempo e do espaço.
A cruz é então um símbolo dialético, que convida a pensar nossa trajetória como transformação. Isto tornou possível utilizá-la como sinal de esperança, pois, apesar das dificuldades e sofrimentos em nossa vida, o nosso percurso termina na ressurreição e não na morte, já que também ressuscitaremos com Jesus.
Se, com a morte de Jesus, morreu a esperança dos injustiçados, dos marginalizados e de todos aqueles que, como Ele, são assassinados pelas diversas instâncias de poder, com sua ressurreição esta esperança renasce de modo que não pode mais ser morta, sendo ela nosso alento de que, mesmo existindo inúmeras dificuldades para construir um mundo melhor, podemos ter a certeza de que tal mundo é possível.
A cruz torna-se assim um símbolo cujo significado é sempre atual: com seus quatro lados representando todo o universo, é o lugar onde se dá a oferta da própria vida por amor à humanidade, ao mesmo tempo em que se mostra a certeza da ressurreição. Na busca por um mundo melhor, portanto, não há o que termer."
(Créditos do texto: Guilherme Demarchi, Linguista)
