terça-feira, 13 de setembro de 2011

A Dialética da Cruz...



"Karl Marx, filósofo alemão, propôs que tudo está em constante transformação de forma dialética, ou seja, da passagem de uma coisa (tese) pela sua negação (antítese), surge outra (síntese), que possui características das duas, sem ser nenhuma delas. Para explicar melhor, tomamos como exemplo de tese a vida. Sua negação, isto é, sua antítese, é a morte. A vida possui como curso natural, portanto, a morte.

Em Jesus, porém, a transformação não acaba na morte, mas caminha para uma síntese, a ressurreição, que já não é nenhuma das anteriores, mas algo novo. Não é a morte, pois esta já foi vencida, e também não é a vida simplesmente, mas a vida que dura para sempre, extrapolando todas as exigências do tempo e do espaço.

A cruz é então um símbolo dialético, que convida a pensar nossa trajetória como transformação. Isto tornou possível utilizá-la como sinal de esperança, pois, apesar das dificuldades e sofrimentos em nossa vida, o nosso percurso termina na ressurreição e não na morte, já que também ressuscitaremos com Jesus.

Se, com a morte de Jesus, morreu a esperança dos injustiçados, dos marginalizados e de todos aqueles que, como Ele, são assassinados pelas diversas instâncias de poder, com  sua ressurreição esta esperança renasce de modo que não pode mais ser morta, sendo ela nosso alento de que, mesmo existindo inúmeras dificuldades para construir um mundo melhor, podemos ter a certeza de que tal mundo é possível.

A cruz torna-se assim um símbolo cujo significado é sempre atual: com seus quatro lados representando todo o universo, é o lugar onde se dá a oferta da própria vida por amor à humanidade, ao mesmo tempo em que se mostra a certeza da ressurreição. Na busca por um mundo melhor, portanto, não há o que termer."

(Créditos do texto: Guilherme Demarchi, Linguista)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Felicidade...

"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte.
Se perceber que precisa seguir, siga.
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca.
Se o achar, segure-o!"

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Frase do dia...

"Não avalies alguém pela sua aparência, nem desprezes ninguém pelo seu aspecto."
(Eclo 11,2)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sobre o Amor, Rosas e Espinhos...

"O amor resiste à distância, ao silêncio das separações e até às traições. Sem perdão não há amor. Diga-me quem você mais perdoou na vida, e eu então saberei dizer quem você mais amou...

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão. Você o percebe no momento em que o outro fez tudo errado, e mesmo assim você olha nos olhos dele e diz: "Mesmo fazendo tudo errado eu não sei viver sem você. Eu não posso ser nem a metade do que sou se você não estiver por perto..."

O amor nos possibilita enxergar lugares do nosso coração que sozinhos jamais poderíamos enxergar...

O poeta soube traduzir bem quando disse: "Se eu não te amasse tanto assim, talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão. Se eu não te amasse tanto assim talvez não visse flores por onde eu vi, dentro do meu coração..."

Bonito isso. Enxergar sonhos que antes eu não saberia ver sozinho. Enxergar só porque o outro me emprestou os olhos , socorreu-me em minha cegueira. Eu possuia e não sabia. O outro me apontou, me deu a chave, me entregou a senha...

Coisas que Jesus fazia o tempo todo. Apontava jardins secretos em aparentes desertos...

Na aridez do coração de Madalena, Jesus encontrou orquídeas preciosas. Fez vê-las e chamou a atenção para a necessidade de cultivá-las...

Fico pensando que evangelizar talvez seja isso: descobrir jardins em lugares que consideramos impróprios...

Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois...

Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo...

Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras...

Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira...

A vida requer cuidado. Os amores também. Flores e espinhos são belezas que se dão juntas. Não queira uma só. Elas não sabem viver sozinhas...

Quem quiser levar a rosa para sua vida, terá que saber que com ela vão inúmeros espinhos...

Mas não se preocupe. A beleza da rosa vale o incômodo dos espinhos..."

(Pe. Fábio de Melo)