domingo, 6 de maio de 2012

Maneira de Amar...


"O jardineiro conversava com as flores e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.
Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.
O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora,depois de assinar a carteira de trabalho.
Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "VOCÊ O TRATAVA MAL, AGORA ESTÁ ARREPENDIDO?" "NÃO, RESPONDEU, ESTOU TRISTE PORQUE AGORA NÃO POSSO TRATÁ-LO MAL. É A MINHA MANEIRA DE AMAR, ELE SABIA  DISSO, E GOSTAVA."

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 21 de abril de 2012

Sobre o Amor verdadeiro...

Lindo texto, retirado da internet...

"Qual a razão para que determinada pessoa continue com ele (ou ela)? Quantas vezes colocamos estas e outras questões aos nossos amigos envolvidos em histórias de amor dolorosas ? Quantas vezes nos questionamos sobre a razão que leva determinadas pessoas a manter relações insatisfeitas? É certo que não é isso o amor. O que é então ? Um sentimento que nos torna radicalmente felizes ?

Certamente que não... O amor verdadeiro nada tem a ver com serenidade . Mesmo depois da fusão inicial e contrariamente ao que podemos imaginar, o amor não é confortável, ele muda, treme, e isso liga-nos ao outro numa aventura que ultrapassa a racionalidade. 

O amor é um mistério para quem o vive, e um mistério para aqueles que o observam. Na verdade, aquilo que nos liga ao outro é inexplicável. Amar verdadeiramente, é ir em direção ao outro, não apenas pela sua imagem (a sua beleza, a sua semelhança com este ou aquele), nem por aquilo que simboliza (um pai, uma mãe, o poder, o dinheiro), mas pelo seu segredo ou mistério. Segredo esse que não sabemos nomear, e que vai ao reencontro do nosso: uma falta sentida depois da infância, um sofrimento estranho, indefinível. amor dirige-se ao nosso lado irracional.

Há um vazio em nós que pode causar a nossa destruição, matar. E o amor é o encontro de duas feridas, de duas famílias, a partilha com alguém daquilo que nos falta radicalmente e que jamais poderemos dizer. O amor verdadeiro não é : « mostra-me o que és » ou « dá-me o que tens para completar o que me falta », mas antes : « eu amo a forma como te tentas curar, eu gosto da tua cicatriz ».
Nada em comum com a hipótese da « metade da laranja » que nos afirma incompletos porque cortados em dois, em que o amor nos tornaria um só e felizes.  Essa é a causa do falhanço de muitos casais.

Quando alguns se apercebem que continuam a sentir-se insatisfeitos, imaginam que ainda não encontraram o homem ou mulher que lhes falta e que devem mudar. Não é, evidentemente, o caso. Amar verdadeiramente é dizer ao outro : « Tu interessas-me »

Amar, é ter medo. Todo o tempo. Freud, explica da seguinte forma : tornamo-nos dependentes porque precisamos que o outro nos devolva, diariamente, a existência. Daí o medo de o perder. O amor implica correr riscos. Ele suscita um fenomeno de vertigem, por vezes mesmo de rejeição: podemos deixar de amar porque temos medo, sabotar tudo em vez de nos entregarmos e de confiar totalmente, reduzir a importância desse amor ligando-nos a uma atividade onde tudo depende de nós. Tudo isso como forma de nos protegermos do poder exorbitante do outro sobre nós. Ou desse amor em nós.

É por isso, sublinha Freud, que Éros e Tânatos estão ligados. “Eu amo-te e destruo-te”. Eros, corresponde ao desejo de nos ligarmos amorosamente uns aos outros; Tânatos é a pulsão da morte que nos empurra a romper a ligação para que o nosso ser se mantenha poderoso. O amor empurra a sair de nós próprios, o eu do combate. Sabemos que quando amamos, algo nos sufoca.

O amor afeta o nosso ser, o nosso lugar no mundo. Poucas pessoas se dão conta disso. Encontram-se sós, e sentem-se bem nessa solidão, porque estão protegidos da pulsão da morte. Mas o amor não é um contrato de afetos: é um sentimento violento que representa perigo para ambos os lados. Um perigo que, para muitos, continua a valer a pena correr..."

sábado, 14 de abril de 2012

Atrações de Privação...

Achei este texto na internet e fiz uma tradução livre e compacta mas sem perder a essência do tema... um dos textos mais elucidativos que já li a respeito, e creio que possa ajudar a muita gente...


"RECONHECENDO SUAS ATRAÇÕES DE  PRIVAÇÃO...

Porquê muitas paixões românticas acabam mal? Porquê estas atrações se parecem com o verdadeiro amor, mesmo que nos levem para a beira de um penhasco? Há uma explicação que pode nos ajudar a resolver este mistério: Nossas atrações mais dolorosas surgem de nossos dons mais íntimos, de nossas melhores qualidades que podem  nos levar ao verdadeiro amor. Este texto vai nos ensinar como reconhecer e evitar estas atrações chamadas "atrações de privação" e vai nos ajudar a descobrir quais são os nossos dons íntimos que elas estão ocultando.

Todos nós somos atraídos por um tipo em particular: um tipo físico, um tipo emocional, ou um tipo de personalidade. Estas atrações "únicas" nós tornam mais fracos, uma vez que elas desencadeiam as nossas inseguranças e trazem à tona os nossos anseios. Como isto acontece? Elas nos atraem em parte porquê  personificam as piores características emocionais de nossos pais. E mesmo que sejamos adultos, nós muitas vezes temos feridas mal resolvidas da infância devido à traição, manipulação, abuso ou negligência de nossos pais.

Inconscientemente, nós procuramos a cura destas feridas nos nossos relacionamentos íntimos, o que significa que nós somos mais atraídos por pessoas que podem nos ferir da maneira que nós fomos feridos em nossa infância. Nosso inconsciente procura recriar esta cena do "crime original", para que possamos ser salvos mudando o seu final.  Esta criança em nós acredita que os autores originais possam finalmente mudar suas mentes, desculpar-se, ou compensar esta terrível ruptura de confiança, para que finalmente possamos nos livrar da crença de que não somos merecedores de amor. 

O que se esconde por trás desta incansável busca pela cura? A resposta está nas camadas mais profundas de nosso ser emocional, onde nós criamos o que chamo de "mito do amor perdido".  À medida que nós crescemos do paraíso relativo da infância, cada um de nós se choca dolorosamente  com as disfunções de nossos pais e a crueldade no mundo exterior.   Então nós criamos um "mito do amor perdido" para explicar porquê esta perda ocorreu. E como qualquer mito poderoso, este determina o nosso entendimento de como  a vida e o amor funcionam. E à medida que nos tornamos adultos, ele se torna o modelo que vai permear a nossa vida amorosa.

O mito do amor perdido tem dois aspectos. Primeiro, ele nos diz como o mundo é inseguro, e como nós devemos lidar com isso. Ele cria regras para que possamos nos guiar e nos proteger de novos ataques ao nosso coração. A segunda parte de nosso mito é igualmente destrutiva. Ele explica as limitações de nossos pais da maneira que mais faz sentido a uma criança..."Isto é minha culpa, e de algum modo, eu não sou digna de amor". E então ele continua a sua trajetória de danos promovendo as falhas que nos fazem indignos de amor, e que nos diz que somos culpados por nossa perda de amor. 


A maioria de nós vai estar nesta batalha interior pelo resto de nossas vidas, tentando não dar atenção a isso mesmo que nós teimosamente permanecemos fiel a este mito. E quando nós encontramos alguém que acorda a memória de nosso inconsciente de amor perdido, nossas esperanças enterradas são acordadas. Mas ainda que nós escolhamos uma relação de privação, nossas  esperanças  são suscetíveis de serem esmagadas uma vez mais.

Por outro lado, as nossas melhores qualidades ou dons são as que podem atrair o amor que nós precisamos! Eu chamo elas de "dons do coração". É importante notar que estes dons não são os mesmos que os talentos ou forças. Eles são simplesmente nossas áreas de mais profunda sensibilidade e sentimentos, e eles são usualmente ligados as nossas mais apaixonantes, criativas e adoráveis qualidades. Mas dons não são coisas fáceis de se ter. Pessoas tiram vantagens deles. Nossos dons tem uma intensidade que podem nos fazer  agir  irracionalmente; uma sensibilidade que pode nos trazer problemas. A verdade é que, nossos dons nos causam problemas em nossas vidas e se nós não os entendermos, e nem a maneira que eles influenciam nossa história, então não vamos  entender a profundidade da história de nossas vidas! 

Enquanto nós continuarmos seguindo nossas atrações de privação, estes dons vão permanecer sem poder, e nós também por consequência. Então como nós paramos de seguir estas atrações tão  aparentemente convincentes? O primeiro passo é reconhecer elas pelo que elas são. O segundo passo é identificar os dons de coração que elas ocultam. Este importante exercício vai ajudar você a fazer as duas coisas.

EXERCÍCIO: SUAS ATRAÇÕES DE PRIVAÇÃO...
Ele pode ajudar você a indentificar as qualidades negativas que te mantém preso. Com este conhecimento, você vai ter um mapa de seu caminho para a cura com os sinais que te protegem de uma vez mais escolher a dor.

PASSO UM: Pegue uma folha de papel e escreva no topo: "Minhas atrações de privação"... Liste todos os traços de seus antigos parceiros que te feriram, frustraram você, ou fez você se sentir invisível ou não reconhecido. Não se preocupe se a culpa tenha sido parcialmente sua. Escreva de qualquer modo. Inclua traços físicos que são sexies mas também negativos, como um ar de superioridade arrogante. 

PASSO DOIS: Pegue uma segunda folha de papel e escreva no topo: "Um retrato de minhas atrações de privação"... Leia através de suas  notas do passo um, e coloque junto um perfil dos tipos de pessoas que lhe causam dor. Por exemplo:

"Eu sou atraída por homens maus ou homens que não parecem precisar de mim como eu preciso deles. Homens que não necessitam de validação como eu necessito. Muitos deles bebem demais. Alguns deles ao mesnos três vezes me traíram. Todos eles eram sexies em sua auto-confiança. A maioria se ressentia do meu sucesso, ou ao meos não podiam celebrar grandes realizações comigo. Eles eram críticos, e eu acabei me sentindo culpada grande parte do tempo. Eu sou atraída por homens com um tipo de desdém em seu rosto. Um pouco de arrogãncia me excita."

PASSO TRÊS: Nesta parte, escrever um novo título: "Meus Dons"... Lembre-se que nossas maiores feridas podem apontar nossos maiores dons. Escreva quais de seus dons você sentiu que foram degradados, minimizados, ou não totalmente apreciados nestas relações. Que partes de você mais você anseia que seu parceiro entenda, aprecie, e dê espaço? Estes são seus dons de coração. Esta informação é inestimável, e aqui está o  motivo:  Com toda probabilidade, estes são os dons que você não teve honrados, que foram   negligenciados, minimizados, ou até mesmo abusados. Estes dons fazem parte do teu crescimento. Eles são as qualidades na sua personalidade que você necessita abraçar e expressar. Sem mencionar proteger, o que é imperativo é que você escolha pessoas que honrem e as valorizem. Estas são suas relações de inspiração, e não de privação.

Reserve alguns minutos para ler o que vcoê escreveu, e tome nota de seus sentimentos. Lembre-se de não julgar você mesmo; este conhecimento é exatamente o que você vai estabelecer para o futuro, e abrir a porta para relacionamentos onde você é amado pelo que você realmente é."

Fonte do Texto: